Opinião: uso da máquina pública por Cappelli é o retorno do submundo da politica

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Acusado de transformar a ABDI em bunker eleitoral com servidores e equipamentos federais, pré-candidato do PSB enfrenta requerimentos no Senado e deve ser investigado pelo MPF e TRE-DF, em mais um capítulo de sua trajetória questionável apadrinhada por Rollemberg

O Distrito Federal não merece ser palco de mais um escândalo de uso indevido da máquina pública, especialmente quando envolve um pré-candidato ao Governo como Ricardo Cappelli (PSB), presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). Denúncias graves, reveladas por ex-integrantes da equipe e protocoladas no Senado nesta sexta-feira (14), apontam que Cappelli estaria montando um “QG de campanha” dentro da estrutura federal, utilizando servidores, instalações e recursos da ABDI para produzir conteúdo eleitoral, interagir nas redes sociais e atacar adversários como o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice Celina Leão (PP).

O Ministério Público Eleitoral (MPF) e o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF) foram acionados, e a sociedade brasiliense exige uma investigação séria, com punições exemplares – porque isso não é política; é o submundo pantanoso disfarçada de ambição, um esgoto que envenena a democracia e as instituições.

As acusações, detalhadas em reportagens do Diário do Poder, pintam um quadro alarmante de abuso de poder. Cappelli, sob o comando de seu gerente de marketing na ABDI, Bruno Trezena, teria criado um “bunker político” no Edifício Ariston, no Setor Comercial Sul, equipado com cinco celulares e cinco notebooks adquiridos recentemente para simular a presença digital do pré-candidato nas redes.

Esse núcleo, segundo as denúncias, dedica-se não a políticas industriais, mas à produção de vídeos de campanha antecipada, monitoramento de eleitores e ataques coordenados a rivais – práticas que configuram crime eleitoral, como uso irregular de bens públicos (art. 73 da Lei 9.504/97) e improbidade administrativa (Lei 8.429/92). Ex-funcionários relatam que servidores da ABDI, com salários acima da média do funcionalismo, atuam mais como cabos eleitorais do que como profissionais da agência, priorizando a agenda política de Cappelli sobre missões institucionais.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) protocolou um requerimento de informações ao ministro Geraldo Alckmin, pedindo contratos de publicidade da ABDI nos últimos 24 meses, dados orçamentários de comunicação e se há investigações internas sobre o uso político da estrutura.

“É inadmissível que um órgão federal vire comitê eleitoral. Cappelli precisa explicar isso ao Brasil”, disparou Damares, exigindo transparência sobre normativos que coíbem o abuso. O MPF e o TRE-DF, acionados por petições baseadas nessas denúncias, têm o dever de agir com rigor: campanha antecipada pode render cassação de registro, multa de até R$ 106 mil e inelegibilidade por oito anos.

Não é a primeira vez que Cappelli flerta com a Justiça: apadrinhado por Rodrigo Rollemberg (PSB), cujo governo é lembrado como um dos piores da história do DF, ele já foi multado por difamação contra uma cooperativa de caminhoneiros e gastou R$ 63 mil em anúncios impulsionados para atacar Ibaneis nas redes, beirando o abuso de poder econômico.

Essa não é mera irregularidade; é o retrato do oportunismo que corrói a política brasiliense. Cappelli, ex-PCdoB e figura de extrema esquerda, traiu o PT-DF ao ser imposto por Lula contra Leandro Grass, isolando a esquerda local em uma crise que prevê derrotas acachapantes em 2026. Enquanto o DF rejeita a “República dos Condenados” – com Arruda expulso de reuniões evangélicas e Gim Argello ressurgindo da Lava Jato –, Cappelli usa a ABDI para simular proximidade com periferias, como “morando” no Sol Nascente, mas na prática transforma um órgão federal em ferramenta de autopromoção.

A sociedade brasiliense, com 59,7% de desaprovação a Lula e apoio maciço à gestão Ibaneis-Celina (63% de aprovação na Real Time Big Data), merece respostas claras: quem financia esse bunker? Quantos servidores foram cooptados? E por que o governo federal, via Alckmin, silencia?

O MPF e o TRE-DF devem investigar com urgência, aplicando punições severas para que Cappelli, Rollemberg e seus aliados entendam: a máquina pública serve ao povo, não a ambições pessoais. O DF, com sua eficiência comprovada em segurança (menor índice de homicídios em 48 anos) e saúde, rejeita esse esgoto. Que a Justiça limpe a sujeira antes de 2026 – ou o eleitor fará justiça nas urnas.

 

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